Um novo começo


Um novo começo 
A vontade de Deus jamais nos levará aonde a sua graça não nos pode alcançar;

O cinzento do céu e os tenebrosos relâmpagos prolongaram, por mais algumas horas, o tempo de trabalho de Marisa. Quando se apercebeu que as águas que seguiram a tempestade cairiam por mais tempo do que o esperado, ela decidiu retornar à casa.

Voltar a casa transformou-se num calvário diário para Marisa. De dia, mulher bem-sucedida, directora de uma das empresas cita na majestosa cadeia dos edifícios mais luxuosos do país, mas, ao cair do sol, ela arrependia-se por estar viva.

Os vidros escuros do seu carro testemunharam o diário funeral do olhar altivo e dominante que reinava durante o dia. Os dias eram todos iguais, sem nada de novo para viver. Quis o destino que aquele dia fosse diferente. O destino, justamente ele, que ela tanto odiava.




Ao parar o seu carro ao lado dum jardim, que ficava a escassos metros dos edifícios onde ela trabalhava, viu uma criança que tentava, a luz dos faróis dos carros, usar um papelão como colchão e um plástico como manta para que as águas da chuva não o atingissem.

Marisa tentou ignorá-lo, mas as forças invisíveis da natureza, novamente, não colaboraram. Uma árvore caíra perto do semáforo impedindo momentaneamente a progressão das viaturas que já se tinham enfileirado, daqueles eventos típicos em dias de chuva. Minutos passaram-se e, por detrás dos vidros escuros, Marisa continuava a observar o rapaz que empenhava-se cada vez mais em evitar que as águas da chuva o atingissem. Foi nessa incomum atenção que a mulher se apercebeu que jaziam, na face do menino, pequenas gotículas de água. Não era, indubitavelmente, a água da chuva que escorria pela sua face, ela conhecia aquele estado. Era febre.

Subitamente uma preocupação tomou conta de si, reflexões que nunca tivera invadiram a sua mente. Como é que aquele menino foi parar na rua? Os seus pais? Os familiares? Se realmente ele estiver doente, quem o socorrerá sob aquela chuva? A mulher olhou a volta e enxergou que o mundo continuava a girar e as pessoas continuavam a sua vida normalmente ignorando aquela situação. Ela também o fizera durante a vida toda.

Já na casa dos 40, os eventos da sua vida a ensinaram a ter sensibilidade para aqueles casos, porém, ela continuava sem saber o que fazer. Ficou por muito tempo a pensar, a ponderar diversas hipóteses, que nem se apercebeu que os restos da árvore tinham sido removidos e o tráfego fora reestabelecido. Foi o ruído das buzinas dos outros carros que a fizeram retornar à terra.

Movida pelo instinto, a mulher decidiu encostar o carro e chegar perto do menino. Ao abrir a porta do carro teve consciência do quão frio estava no exterior e do quão necessitado aquele menino, provavelmente, estava.

Ao se dar conta da presença da elegante mulher, o menino tentou reagir, mas em vão. A febre não o deixou. Pacificamente o menino deixou-se levar pela mulher e enroscou-se no seu colo enquanto era transportado para o banco traseiro do carro. Nem as lendárias histórias do Tatá Mamã e Tatá Papá o assustaram, afinal isso só servia para quem tinha pai e mãe.

Ao chegar a casa, apesar de ter o banco traseiro do seu carro inundado, a mulher sentia-se renovada, tinha um motivo para viver. A casa não estava mais vazia. Lembrou-se, por instantes dos tempos em que ela andou cheia, com brinquedos a voar por todo lado, as colunas a expelirem um som alto, o uísque a marcar o seu território no odor da casa, a cheirosa comida do entardecer pronta na mesa para, em família ser devorada…  Apressou-se em colocar o menino na banheira, imergindo-o de seguida em água morna. No fogão estava em ebulição uma sopa de legumes, que a fez lembrar do sr. Martinho que, sempre solícito, deixava todo santo dia uma sopa no fogão. Sorriu ao lembrar como ela era feliz e uma lágrima escorreu-lhe o rosto ao lembrar como, num sopro, a vida fora dura com ela. 

Enquanto Marisa empenhava-se em lavá-lo à banheira, o menino mantinha os olhos fixos nela. Parecia querer falar com ela, mas algo o impedia. A mulher pegou nos pés do menino, analisou a sua altura, adivinhou a sua idade. Ele deveria ter entre 7 e 8 invernos. Marisa caminhou lentamente para o compartimento esquecido, o quarto proibido, onde reinavam as memórias mais doces e mais tenebrosas da sua vida. De lá trouxe algumas roupas, bem engomadas e cheirosas, todas coloridas que serviram na perfeição o menino, dos pés a cabeça.  Amaldiçoou a perfeita coincidência.




Encaminhou o rapaz para a sala de estar e o pousou no sofá. “Ainda consigo”, pensou ela. Foi buscar a sopa e, colher a colher, foi o dando de comer e ele a saboreava no silêncio dos deuses e no final deu-lhe um analgésico. Marisa não insistia que ele falasse e o menino continuava sempre com o olhar fixo nela e um sorriso misterioso.

Marisa foi novamente ao quarto proibido e desta vez trouxe consigo um cobertor. Colocou sobre o rapaz que, sem nenhuma resistência, deitou-se no sofá. Voltou a passar-lhe a mão na cabeça e no seu pescoço e, para a sua alegria, certificou-se que a febre baixara. Desajeitadamente ela deu um beijo na testa dele e ele a puxou para um abraço mais demorado. Marisa sentiu uma energia passar entre os dois e uma paz interior a invadiu.

No corredor, em direcção ao seu quarto, a choradeira foi inevitável. Em silêncio, gritou, deixou as lágrimas escorrerem-lhe o rosto, deixou a dor desvanecer, um sentimento há muito sedimentado em seu coração. Agachou-se, viu as águas da chuva escorrerem pela janela, lembrou-se do dia em que o seu filho foi diagnosticado um cancro em fase terminal, lembrou-se do momento em que lhe disseram que sobravam-lhe apenas dois meses e, no final das contas, tudo resumiu-se em apenas um mês. Marisa chorou, chorou como no dia em que velou o próprio filho diante de uma plateia de olhares acusadores.  Desta vez já não chorava em silêncio, gritava como uma criança.

Os dias seguintes ao velório foram tenebrosos. O Marido foi o primeiro a quebrar silêncio, segurou nas suas malas e saiu de casa. Culpou-a pela morte do filho, o único herdeiro. Acusou-a de se concentrar demais no trabalho e de ignorar os sinais de uma doença que há muito consumia o rapaz.

Marisa desistiu de ir ao seu quarto, foi novamente ao quarto proibido. Dispensara, logo após o trágico evento, o sr. Martinho, fiel zelador da casa, e abraçara a solidão desde então. Cheirou, ainda em pranto, as roupas do falecido filho. Se tivesse prestado mais atenção nele, se tivesse faltado àquela reunião, se tivesse adiado àquela viagem, se tivesse cancelado àquela formação, certamente o teria levado mais cedo para o hospital e provavelmente ele estaria, naquele dia, correndo pela casa. Ela era a culpada, a única culpada daquilo tudo, como se o filho fosse somente dela e, foi no meio da choradeira e do cansaço que ela pegou no sono, ali mesmo, naquele quarto.

Marisa acordou no dia seguinte sob o barulho da diarista que vinha zelar pela casa. Atordoada foi a correr para a sala e não havia nenhum sinal do rapaz. Questionou a diarista e ela disse que não vira ninguém e não havia nenhum rasto de sopa no fogão e nem loiça suja, que tudo estava como ela deixara no dia anterior. Correu para o carro…. Estava seco, sem sinal de ninguém ter estado lá. Recorreu as camaras de vigilância e, infelizmente, tiveram um apagão de cerca de duas horas que foi devidamente justificado pela direcção do condomínio. O porteiro não pôde atestar se ela estava só ou não, pois, os vidros do seu carro eram escuros.

Marisa percorreu desesperada a casa toda a procura de algum sinal da presença daquele rapaz e quanto mais procurava nada encontrava. Desesperada voltou para o quarto do falecido filho e procurou pela roupa que ela vestira o rapaz. A roupa estava lá, engomada e bem cheirosa, como se ninguém a tivesse mexido. Terá sido apenas um sonho? Não! Marisa jurava que não. Remexeu nos bolsos da calça que vestira o rapaz e lá encontrava-se um bilhete. Marisa leu-o, como se fosse um poema. Olhou para o alto, agradeceu e pôs-se novamente a chorar.

Um ano depois Marisa dava entrada na sala do parto para, mais uma vez, dar à luz a uma nova vida. Quando dava o grito final relembrou-se do escrito no bilhete.


“Mãe, não foste a culpada. Os desígnios de Deus são sempre incompreensíveis aos corações humanos. Obrigado pela sopa, estava boa, como sempre me habituaste.
Mãe…. voltarei, e vamos começar tudo de novo, desta vez rodeados de pessoas que confiam em ti e apoiem os teus sonhos”


Por: Chico Xavier
Editado por: Agnaldo Bata
& Marcelino Muianga 
  

A Reforma pelo Jornal 1859

A Reforma pelo Jornal 
Houve uma coisa que fez tremer as aristocracias, mais do que os  movimentos populares; foi o jornal. Devia ser curioso vê-las quando um século despertou ao clarão deste fiat humano; era a cúpula de seu edifício que se desmoronava.
Com o jornal eram incompatíveis esses parasitas da humanidade, essas fofas individualidades de pergaminho alçado e leitos de brasões. O jornal que tende à unidade humana, ao abraço comum, não era um inimigo vulgar, era uma barreira... de papel, não, mas de inteligências, de aspirações.
É fácil prever um resultado favorável ao pensamento democrático. A imprensa, que encarnava a idéia no livro, expendi eu em outra parte, sentia-se ainda assim presa por um obstáculo qualquer; sentia-se cerrada naquela esfera larga mas ainda não infinita; abriu pois uma represa que a impedia, e lançou-se uma noite aquele oceano ao novo leito aberto: o pergaminho será a Atlântida submergida. Por que não?
Todas as coisas estão em gérmen na palavra, diz um poeta oriental. Não é assim? O verbo é a origem de todas as reformas.
Os hebreus, narrando a lenda do Gênesis, dão à criação da luz a precedência da palavra de Deus. É palpitante o símbolo. O fiat repetiu-se em todos caos, e, coisa admirável! sempre nasceu dele alguma luz.
A história é a crônica da palavra. Moisés, no deserto; Demóstenes, nas guerras helênicas; Cristo, nas sinagogas da Galiléia; Huss, no púlpito cristão; Mirabeau, na tribuna republicana; todas essas bocas eloqüentes, todas essas cabeças salientes do passado, não são senão o fiat multiplicado levantado em todas as confusões da humanidade. A história não é um simples quadro de acontecimentos; é mais, é o verbo feito livro.
Ora pois, a palavra, esse dom divino que fez do homem simples matéria organizada, um ente superior na criação, a palavra foi sempre uma reforma.
Falada na tribuna é prodigiosa, é criadora, mas é o monólogo; escrita no livro, é ainda criadora, é ainda prodigiosa, mas é ainda o monólogo; esculpida no jornal, é prodigiosa e criadora, mas não é o monólogo, é a discussão. E o que é a discussão?
A sentença de morte de todo o status quo, de todos os falsos princípios dominantes. Desde que uma coisa é trazida à discussão, não tem legitimidade evidente, e nesse caso o choque da argumentação é uma probabilidade de queda. Ora, a discussão, que é a feição mais especial, o cunho mais vivo do
jornal, é o que não convém exatamente à organização desigual e sinuosa da sociedade. Examinemos.
A primeira propriedade do jornal é a reprodução amiudada, é o derramamento fácil em todos os membros do corpo social. Assim, o operário que se retira ao lar, fatigado pelo labor quotidiano, vai lá encontrar ao lado do pão do corpo, aquele pão do espírito, hóstia social da comunhão pública. A propaganda assim é fácil; a discussão do jornal reproduz-se também naquele espírito rude, com a diferença que vai lá achar o terreno preparado. A alma torturada da individualidade ínfima recebe, aceita, absorve sem labor, sem obstáculo aquelas impressões, aquela argumentação de princípios, aquela argüição de fatos. Depois uma reflexão, depois um braço que se ergue, um palácio que se invade, um sistema que cai, um princípio que se levanta, uma reforma que se coroa.
Malévola faculdade — a palavra! Será ou não o escolho das aristocracias modernas, este novo molde do pensamento e do verbo?
Eu o creio de coração. Graças a Deus, se há alguma coisa a esperar é a das inteligências proletárias, das classes ínfimas; das superiores, não.
As aristocracias dissolvem-se, diz um eloqüente irmão d'armas. É a verdade. A ação democrática parece reagir sobre as castas que se levantam no primeiro plano social. Os próprios brasões já se humanizam mais, e alguns jogam na praça sem notarem que começam a confundir-se com as casacas do agiota. Causa riso.
Tremem, pois, tremem com este invento que parece abranger os séculos — e rasgar desde já um horizonte largo às aspirações cívicas, às inteligências populares.
E se quisessem suprimi-lo? Não seria mau para eles; o fechamento da imprensa, e a supressão da sua liberdade, é a base atual do primeiro trono da Europa.
Mas como! cortar as asas de águia que se lança no infinito, seria uma tarefa absurda, e, desculpem a expressão, um cometimento parvo. Os pergaminhos já não são asas de Ícaro. Mudaram as cenas; o talento tem asas próprias para voar; senso bastante para aquilatar as culpas aristocráticas e as probidades cívicas. Procedem estas idéias entre nós? Parece que sim. É verdade que o jornal aqui
não está à altura da sua missão; pesa-lhe ainda o último elo. Às vezes leva a exigência até à letra maiúscula de um título de fidalgo.
Cortesania fina, em abono da verdade!
Mas, não importa! eu não creio no destino individual, mas aceito o destino coletivo da humanidade. Há um pólo atraente e fases a atravessar. — Cumpre vencer o caminho a todo o custo; no fim há sempre uma tenda para descansar, e uma relva para dormir.

MUSA CONSOLATRIX


MUSA CONSOLATRIX

Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,

É no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.
Não há, não há contigo,

Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
De íntima paz, de vida e de conforto.
Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?

A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias,
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.
Musa consoladora,

Quando da minha fronte de mancebo
A última ilusão cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,

Ah! no teu seio amigo Acolhe-me, — e haverá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!


O Bote de Rapé

PERSONAGENS:

  • Tomé
  • Um relógio na parede
  • Elisa, sua mulher
  • O nariz de Tomé
  • Um caixeiro
CENA PRIMEIRA: TOMÉ, ELISA (entra vestida)

TOMÉ — Vou mandar à cidade o Chico ou o José.
ELISA — Para... ?
TOMÉ — Para comprar um bote de rapé.
ELISA — Vou eu.
TOMÉ — Tu?
ELISA — Sim. Preciso escolher a cambraia,

A renda, o gorgorão e os galões para a saia,
Cinco rosas da China em casa da Natté,
Um par de luvas, um peignoir e um plissé,
Ver o vestido azul, e um véu... Que mais? Mais nada.
TOMÉ — (rindo)
Dize logo que vás buscar se uma assentada
Tudo quanto possui a Rua do Ouvidor.
Pois aceito, meu anjo, esse imenso favor.

ELISA — Nada mais? Um chapéu? Uma bengala? Um fraque?
Que te leve um recado ao Dr. Burlamaque?
Charutos? Algum livro? Aproveita, Tomé!
TOMÉ — Nada mais; só preciso o bote de rapé...
ELISA — Um bote de rapé! Tu bem sabes que a tua Elisa...
TOMÉ — Estou doente e não posso ir à rua.
Esta asma infernal que me persegue... Vês?
Melhor fora matá-la e morrer de uma vez,
Do que viver assim com tanta cataplasma.
E inda há pior do que isso! inda pior que a asma:
Tenho a caixa vazia.

ELISA (rindo) — Oh! se pudesse estar
Vazia para sempre, e acabar, acabar
Esse vício tão feio! Antes fumasse, antes.
Há vícios jarretões e vícios elegantes.
O charuto é bom tom, aromatiza, influi
Na digestão, e até dizem que restitui
A paz ao coração e dá risonho aspecto.

TOMÉ — O vício do rapé é vício circunspeto.
Indica desde logo um homem de razão;
Tem entrada no paço, e reina no salão
Governa a sacristia e penetra na igreja.
Uma boa pitada, as idéias areja;
Dissipa o mau humor. Quantas vezes estou
Capaz de pôr abaixo a casa toda! Vou
Ao meu santo rapé; abro a boceta, e tiro
Uma grossa pitada e sem demora a aspiro;
Com o lenço sacudo algum resto de pó
E ganho só com isso a mansidão de Jô.

ELISA — Não duvido.
TOMÉ — Inda mais: até o amor aumenta
Com a porção de pó que recebe uma venta.
ELISA — Talvez tenhas razão; acho-te mais amor
Agora; mais ternura; acho-te...
TOMÉ — Minha flor,
Se queres ver-me terno e amoroso contigo,
Se queres reviver aquele amor antigo.
Vai depressa.
ELISA — Onde é?
TOMÉ — Em casa do Real;
Dize-lhe que me mande a marca habitual.
ELISA — Paulo Cordeiro, não?
TOMÉ — Paulo Cordeiro.
Queres,
ELISA — Para acalmar a tosse uma ou duas colheres
TOMÉ — Do xarope? Verei.
ELISA — Até logo, Tomé.
TOMÉ — Não te esqueças.
ELISA — Já sei: um bote de rapé.
(sai)

CENA II
TOMÉ, depois o seu NARIZ
TOMÉ — Que zelo! Que lidar! Que correr! Que ir e vir!
Quase, quase lhe falta tempo de dormir.
Verdade é que o sarau com o Dr. Coutinho
Quer festejar domingo os anos do padrinho,
É de primo-cartello, é um grande sarau de truz.
Vai o Guedes, o Paca, o Rubirão, o Cruz,
A viúva do Silva, a família do Mata,
Um banqueiro, um barão, creio que um diplomata.
Dizem que há de gastar quatro contos de réis.
Não duvido; uma ceia, os bolos, os pastéis,
Gelados, chá... A coisa há de custar-lhe caro.
O mau é que eu desde já me preparo
A despender com isto algum cobrinho... O quê?
Quem me fala?

O NARIZ — Sou eu; peço a vossa mercê
Me console, inserindo um pouco de tabaco.
Há três horas jejuo, e já me sinto fraco,
Nervoso, impertinente, estúpido, — nariz,
Em suma.

TOMÉ — Um infeliz consola outro infeliz;
Também eu tenho a bola um pouco transtornada,
E gemo, como tu, à espera da pitada.

O NARIZ — O nariz sem rapé é alma sem amor.
TOMÉ — Olha podes cheirar esta pequena flor.
O NARIZ — Flores; nunca! jamais! Dizem que há pelo mundo
Quem goste de cheirar esse produto imundo.
Um nariz que se preza odeia aromas tais.
Outros os gozos são das cavernas nasais.
Quem primeiro aspirou aquele pó divino,
Deixas as rosas e o mais às ventas do menino.

TOMÉ — (consigo)
Acho neste nariz bastante elevação,
Dignidade, critério, empenho e reflexão.
Respeita-se; não desce a farejar essências,
Águas de toucador e outras minudências.

O NARIZ — Vamos, uma pitada!
Um instante, infeliz!
(à parte)
Vou dormir para ver se aquieto o nariz.
(Dorme algum tempo e acorda)
Safa! Que sonho; ah! Que horas são!

O RELÓGIO (batendo) — Uma, duas.
TOMÉ — Duas! E a minha Elisa a andar por essas ruas.
Coitada! E este calor que talvez nos dará
Uma amostra do que é o pobre Ceará.
Esqueceu-me dizer tomasse uma caleça.
Que diacho! Também saiu com tanta pressa!
Pareceu-me, não sei; é ela, é ela, sim...
Este passo apressado... És tu, Elisa?

CENA III
TOMÉ, ELISA, UM CAIXEIRO (com uma caixa)
ELISA — Enfim!
Entre cá; ponha aqui toda essa trapalhada.
Pode ir.
(Sai o caixeiro)
Como passaste?
TOMÉ — Assim; a asma danada
Um pouco sossegou depois que dormitei.
ELISA — Vamos agora ver tudo quanto comprei.
TOMÉ — Mas primeiro descansa. Olha o vento nas costas.
Vamos para acolá.
Cuidei voltar em postas.
ELISA — Ou torrada.
TOMÉ — Hoje o sol parece estar cruel.
Vejamos o que vem aqui neste papel.
ELISA — Cuidado! é o chapéu. Achas bom?
TOMÉ — Excelente.
Põe lá.
ELISA — (põe o chapéu)
Deve cair um pouco para a frente.
Fica bem?
TOMÉ — Nunca vi um chapéu mais taful.
ELISA — Acho muito engraçada esta florzinha azul.
Vê agora a cambraia, é de linho; fazenda
Superior. Comprei oito metros de renda,
Da melhor que se pode, em qualquer parte, achar.
Em casa da Creten comprei um peignoir.
TOMÉ (impaciente)
Em casa da Natté...
ELISA — Cinco rosas da China.
Uma, três, cinco. São bonitas?
TOMÉ — Papa-fina.
ELISA — Comprei luvas couleur tilleul, crème, marron;
Dez botões para cima; é o número do tom
Olhe este gorgorão; que fio! que tecido!
Não sei se me dará a saia do vestido.
TOMÉ — Dá.
ELISA — Comprei os galões, um fichu, e este véu.
Comprei mais o plissé e mais este chapéu.
TOMÉ — Já mostraste o chapéu.
ELISA — Fui também ao Godinho,
Ver as meias de seda e um vestido de linho.
Um não, dois, foram dois.
TOMÉ — Mais dois vestidos?
ELISA — Dois...
Comprei lá este leque e estes grampos. Depois,
Para não demorar, corri do mesmo lance,
A provar o vestido em casa da Clemence.
Ah! Se pudesse ver como me fica bem!
O corpo é uma luva. Imagina que tem...

TOMÉ — Imagino, imagino. Olha, tu pões-me tonto
Só com a descrição; prefiro vê-lo pronto.
Esbelta, como és, hei de achá-lo melhor
No teu corpo.

ELISA — Verás, verás que é um primor.
Oh! a Clemence! aquilo é a primeira artista!
TOMÉ — Não passaste também por casa do dentista?
ELISA — Passei; vi lá a Amália, a Clotilde, o Rangel,
A Marocas, que vai casar com o bacharel
Albernaz...
TOMÉ — Albernaz?
ELISA — Aquele que trabalha
Com o Gomes. Trazia um vestido de palha...
TOMÉ — De palha?
ELISA — Cor de palha, e um fichu de filó,
Luvas cor de pinhão, e a cauda atada a um nó
De cordão; o chapéu tinha uma flor cinzenta,
E tudo não custou mais de cento e cinqüenta,
Conversamos do baile; a Amália diz que o pai
Brigou com o Dr. Coutinho e lá não vai.
A Clotilde já tem a toilette acabada.
Oitocentos mil-réis.

O NARIZ (baixo a Tomé)
Senhor, uma pitada!

TOMÉ (com intenção, olhando para a caixa)
Mas ainda tens aí uns pacotes...

ELISA — Sabão;
Estes dois são de alface e estes de alcatrão.
Agora vou mostrar-te um lindo chapelinho
De sol; era o melhor da casa do Godinho.

TOMÉ (depois de examinar)
Bem.
ELISA — Senti, já no bonde, um incômodo atroz.
TOMÉ (aterrado)
Que foi?
ELISA — Tinha esquecido as botas no Queirós.
Desci; fui logo à pressa e trouxe estes dois pares;
São iguais aos que usa a Chica Valadares.

TOMÉ (recapitulando)
Flores, um peignoir, botinas, renda e véu.
Luvas e gorgorão, fichu, plissé, chapéu,
Dois vestidos de linho, os galões para a saia,
Chapelinho de sol, dois metros de cambraia...
(Levando os dedos ao nariz)
Vamos agora ver a compra do Tomé.
ELISA (com um grito)
Ai Jesus! esqueceu-me o bote de rap

A Lâmpada Mágica

A Lâmpada Mágica 
       Um rapaz que se chamava Rafael, muito conhecido naquela região, estava andando e encontrou uma lâmpada dourada e achou  que era tão linda  e levou para sua casa, depois ele pegou um pano para limpar a lâmpada e quando ele esfregou na lâmpada um génio da lâmpada saiu e disse:
—Rapaz você  me retirou  da lâmpada, agora de agradecimento eu te concedo 3 desejos e Rafael disse:
           — Eu não acredito, que isso esta acontecendo comigo!
E Rafael logo pediu o primeiro desejo e logo falou:
           —Eu desejo ter um tapete mágico, para voar e ver o mundo todo e chegar a todos os lugares, num instante! E logo o génio concedeu imediatamente e o tapete apareceu rapidinho, e o Rafael subiu no tapete e depois fez o segundo desejo e disse:
           —Eu desejo ter muito dinheiro!!! E o génio estralou os dedos e apareceu uma pilha de dinheiro na frente de Rafael, entusiasmado ele agradeceu:
           —Obrigado  génio! Por ter me dado tudo isso.
           — Não precisa me agradecer, mas você só tem mas um último desejo. E o rapidamente o rapaz desejou que uma nuvem de sorte até a morte dele e o génio concedeu o desejo. Depois do ultimo pedido o génio desapareceu e o Rafael procurou e  genio em todo lugar e não encontrava mais. E ele pensou que o  génio deve estar na lâmpada. Quando ele esfregou as

mãos na lâmpada mágica o génio saiu da lâmpada e o Rafael desejou que eles fossem amigos para sempre.

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A Floresta Assombrada

A Floresta assombrada 
Era uma vez um menino que tinha 15 anos, ele queria viver uma aventura na floresta assombrada, mas ele nunca pode viver uma aventura, então ele resolveu viver uma aventura na floresta assombrada.
          Quando o menino chegou na floresta, ele foi explorar ela toda, o menino encontrou muitas coisas na floresta, só que o menino viu uma coisa que ele não acreditou, um monstro gigante!!!  que era conhecido como o monstro mais cruel da floresta assombrada.
          O menino saiu correndo daquele lugar, depois o menino voltou para aquele lugar, o gigante já tinha ido embora, o menino planejou um plano mais não deu certo.
         Então, o menino resolveu ser amigo do gigante, mas parecia que o gigante tinha ido embora por que já fazia mais de dois dias que ele não aparecia na floresta assombrada.
        E se passou mais um dia e o gigante não voltava para a floresta assombrada, então o menino perdeu a esperança do gigante voltar.
No dia seguinte,  o menino ficou no canto dele sozinho, sem ninguém para fazer nada e sem ninguém para conversar, então o menino viu uma coisa vindo de bem longe e ele se escondeu, quando aquela coisa foi chegando perto, o menino olhou para ver o que era, e ele viu o gigante e foi perguntar se o gigante queria ser amigo dele, o gigante pensou e pensou,  ele disse:
—Pode ser!
Então,  agora o gigante e o menino são grandes amigos, agora eles vivem grandes aventuras pelo mundo inteiro.
         Um dia eles estavam brincando e teve uma explosão bem grande e eles viraram super heróis da floresta, tudo que acontecia de ruim na floresta eles iam ajudar.
         Um dia na floresta assombrada teve um ataque de monstro e eles foram rapidamente ajudar, eles começaram a lutar, a luta  demorou para acabar, mais depois de muito tempo a luta acabou e eles dois ganharam, não passou nem um minuto e eles já receberam outro alerta de ataque.

            E assim, o menino e o gigante, vivem grandes aventuras na floresta assombrada, só que agora, eles são amigos e combatem o mal juntos.

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Grávida com desejos!!


Grávida com desejos!
A esposa, grávida, acorda durante a noite e chama o marido:
– Amor… Amo-or!
– Hummmm???!!!
– Acorda!!!
– Hummm?!
– Acoorda!!!!

Desorientado e assustado,o marido levanta-se e pergunta:
– O que é que aconteceu?!
– Estou com um desejo…
– Desejo???
– Sim… de comer carne de corvo…
– Corvo??? Mas onde é que eu vou arranjar um corvo agora???
– Vai ao zoo…
– Estás maluca!!! Não vou agora ao zoo. Vou mas é pintar um frango de preto e depois comes.
– Não vou comer carne de corvo mas vais-te arrepender se o nosso filho nascer com carinha de corvo.

Passam-se nove meses, chega o dia do parto e, quando o homem vai ver o seu querido filho, vê que o seu herdeiro é pretinho, mesmo pretinho. Meio apanhado, cheio de remorsos, corre para casa da mãe a lamentar-se:
– Mãe, eu não quis dar carne de corvo à minha mulher quando ela estava grávida e sentiu esse desejo e agora o meu filho nasceu preto como o corvo.
A mãe, bem-humorada, consola o filho que está em pranto:

– Não chores meu filho… Quando eu estava grávida de ti, tive desejo de comer carne de boi, não consegui… e tu nasceste assim com os corninhos, mas só agora é que se começou a notar.


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